sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

CRÔNICAS ÉBRIAS!!!


 Eu não sei...
Na verdade eu nunca sei de muita coisa. Eu apenas sinto!

Extra!!!!

No meio da dor lancinante, tentou lembrar o próprio nome sem sucesso...
Não conseguia distinguir os rosto que estavam sobre ele e as vozes pareciam grunhidos animalescos.
Era inverno como agora e a dor era a única coisa que sentia naquela madrugada que seguia um dia inteiro de chuvas intensas.
Não lembrava porque estava ali....
Nesse momento não enxergava nem ouvia mais nada, mas a dor, essa nunca lhe abandonou. E nesse platô, começou a lembrar de rostos e vozes e recordou que tinha uma filha, Layla e que tinha ou teve em outra vida talvez uma esposa de nome Joana...
E se lembrou quando ouviu seu chefe dizer que ele deveria deixar a empresa porque estavam cortando gastos e o setor dele seria fechado.
E lembrou dos meses que se seguiram procurando emprego sem sorte, da mulher que ele amava e que dizia o amar mudando de porto seguro pra uma total estranha.
Da casa boa pro kit net na periferia, dá filha sofrendo na escola nova que era do governo...
Tudo que lembrava lhe causava mais dor!
E lembrou quando deixou o bilhete na mesa e saiu com vergonha quando na noite anterior viu sua mulher na esquina beijando um ex-namorado que estava encostado num carro bonito e entendeu que tinha perdido quem lhe juraram amor!
Aí aquela marquise que ele não estava podendo ver direito naquela chuva, começou a ficar mais clara...
E passou a recordar de toda bebida que consumiu até ali....
Prostituiu-se com mulheres, com homens, com quem quisesse pagar para tê-lo, pois a dor só passava se bebesse.
E se passaram quase 15 anos desde que saiu de casa e viu o rosto da pequena Layla pela última vez!
E lembrou dos rostos dos mendigos e desvalidos que como ele estavam embaixo daquele elevado de merda que virou sua casa!
E se lembrou de quando era um menino, cheio de sonhos....
E que virou um adulto sem futuro e sem sonhar!
E a dor que lhe incomodava, de um instante, passou....
E as imagens ficaram turvas de novo, os rostos indefinidos, a sirene silenciou...
E lhe veio uma paz que só teve naquele dia que Joana teve alta e dormiram os três na primeira noite da filha em casa....
A cirrose que lhe veio foi sem dúvida resultado de suas escolhas, mas ele, esse não, ele não escolheu acabar assim, mas como na vida justiça não existe, ele acabou como lhes narro pois eu era um dos mendigos que o viu partir...
E a última coisa que disse foi: caralho, não foi assim que planejei!

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